Durante os 19 e 20 de janeiro, os professores participaram do curso sobre Estudo do Meio no Centro de Formação da Escola da Vila, e foi ministrado por Lisângela Kati.
A professora Fernanda relatou a experiência: Lugar vivido, território e pertencimento: o estudo do meio numa perspectiva decolonial.
Participei do curso sobre Estudo do Meio e foi um turbilhão de informações, reflexões e práticas. Em meio às trocas, uma frase de uma aluna me marcou profundamente: “a geografia brotou em mim”. E confesso… em mim também brotou, rsrs. Porque não foi apenas um curso, foi um despertar.
Durante a formação, refletimos sobre o Estudo do Meio como uma possibilidade pedagógica potente para compreender o entorno e o lugar vivido pelos estudantes. Aprendi a reconhecer esses espaços não apenas como cenários, mas como territórios de conhecimento, memória e pertencimento. A proposta traz uma perspectiva decolonial, que desloca o olhar tradicional sobre o território. Deixamos de vê-lo como objeto distante de pesquisa e passamos a entendê-lo como espaço de experiência, de relações, de histórias e de construção de saberes.
Compreender a relação entre lugar vivido e território se mostrou essencial para mim. O lugar vivido expressa as experiências do cotidiano, aquilo que atravessa nossas vidas e constrói identidades e vínculos. Já o território carrega dimensões políticas, históricas e culturais que marcam esses espaços. Nada é neutro. Tudo comunica.
Assim, o Estudo do Meio deixou de ser apenas investigativo e passou a ser uma experiência crítica e sensível de imersão. Ruas, praças, becos e bairros se transformaram, aos meus olhos, em territórios de saber. O corpo, o olhar e a escuta passaram a ser ferramentas de aprendizagem. As práticas compartilhadas no curso me deram base teórica e metodológica para planejar experiências educativas que nascem do pertencimento.
Mas o que vem depois do curso é o que realmente fica. A vivência trazida ali partiu de outra realidade. E aí me perguntei: o que cabe a mim?
Como transformar tudo isso para o meu ambiente de trabalho?
Como posso trabalhar pertencimento e lugar com os meus alunos?
Foi aí que compreendi: essa formação vai nortear minhas aulas de projeto. Se meus alunos se conhecerem, se reconhecerem sua história, sua origem, sua família e seu território, eles passam a entender quem são e de onde vêm. E, a partir disso, podemos ampliar horizontes.
Conhecer Paraisópolis não é limitar, é fortalecer. É reconhecer a potência que existe aqui. A partir desse chão, podemos construir pontes — pontes com outras realidades, outras possibilidades, outros caminhos. Porque só quem sabe quem é, consegue sonhar para além do que vê.
Meu papel, como educadora, é ajudar meus alunos a enxergarem valor no próprio lugar, mas também a perceberem que o mundo é maior. Que existem caminhos fora, sem negar o dentro. Que é possível pertencer e, ao mesmo tempo, voar.
E é assim que quero seguir:
construindo pontes, não muros. Porque isso é Liberdade. (F.H)