Imersão de conhecimentos

Foi assim o nosso encontro com os pesquisadores do projeto “Equidade urbana em territórios de precário: ações socioespaciais participativas em Paraisópolis”, vinculado ao Programa de Inclusão e Diversidade Social na USP e seus campi, Pró-reitoria de Cultura e Extensão Universitária. Seus coordenadores, os professores Manoel Rodrigues Alves (da FAU-USP) e Carlos Arturo Navas (do Insituto de Biociencias da USP) nos procuraram convidando nossos alunos a participarem de uma oficina de reconhecimento e pertencimento do território. A proposta era fazer nesta manhã de sábado um estudo do meio para conhecer o problema urbanistico e sanitário mais grave da comunidade de Paraisopolis: o Córrego do Antonico. Até então estávamos supondo que seria uma atividade simples – não imaginávamos que se tornaria um evento denso, catalisando aprendizagem significativa para uma turma de crianças que na Casa da Amizade vinham estudando a Poluição dos Rios, em preparação para a XVII Mostra Cultural de Paraisopolis (tema Águas). Além das crianças da Casa da Amizade, participaram também estudamtes de graduação e pós graduação da USP e crianças do Pró Saber, que ajudaram a compor um time de 50 curiosos interessados em explorar o territorío. Começamos fazendo a pé o trajeto da Casa da Amizade até o córrego do Antonico, com muita observação e registros. Paramos na Academia do Diniz, na área conhecida localmente como Caixa Baixa., para que pudéssemos ouvir de lideres comunitários locais – Guga e Diniz, que tambem fazem parte do Conselho Gestor de Urbanização de Paraisopolis – um pouco da história do córrego e da situação dos moradores do entorno. Para a alegria das crianças, tivemos até uma mini-aula de artes marciais – nem é preciso dizer que a meninada adorou! Fizemos novamente a pé (cerca de 25 min) o percurso de volta e já na Casa da Amizade, depois do lanche, iniciamos o estudo do grande mapa (fotografia aérea) disposto no centro da sala. A proposta era que as crianças pudessem reconhecer o território identificando suas casas e as escolas que frequentam. os cenários que as incomodam, o que gostam, o que queriam melhorar no territorio e o que poderia funcionar como um bom local para brincar. Quando o assunto em questão foi a água do córrego, muitas ideias surgiram. Ainda que não estivesse no roteiro da oficina, as crianças da Casa da Amizade quiseram orgulhosamente apresentar o filtro de carvão produzido durante aulas recentes de projeto e que foi fimado para nos representar na Mostra Cultural 2022. Foi gratificante saber que aparemente conseguimos atingir as expectativas do grupo de pesquisadores e ao mesmo tempo ir de encontro à finalização de um dos nossos projetos do contraturno escolar. Saber que a Casa da Amizade contribuiu para a realização de um proposta tão nobre nos faz acreditar mais uma vez que estamos no caminho certo, à luz da educação sempre (K.O.C.G).

Férias em Movimento

Pensando no direito ao esporte e lazer, planejamos para o período de férias de Julho, durante o período de recesso da escola regular e do programa de Apoio Escolar da Casa da Amizade, duas semanas de esportes recreativos e brincadeiras. Para nossa faixa etária de 7 a 14 anos montamos uma grade ampla com atividades variadas para contemplar a todos. Nosso objetivo foi proporcionar momentos de ludicidade, lazer e bem-estar, por meio de atividades esportivas e recreativas, como jogos, brincadeiras e atividades culturais, estimulando os aspectos cognitivos, sócio-afetivo e motor.

1o dia: foi pensado no resgate de brincadeiras antigas e regionais, como por exemplo: pião, bolinha de gude, amarelinha africana entre outras brincadeiras, sempre trazendo a origem e explicando para os estudantes sobre suas raízes, assim transmitindo e trocando conhecimento.

2o dia: ainda com a proposta de resgate de brincadeiras expandindo conhecimento cultural, trouxemos brincadeiras não tão antigas, porém que alguns de nossos alunos nunca haviam brincado, como amarelinha e “cidade acorda“. Eles amaram a farra, eufóricos particularmente pela chance de mediar a brincadeira “cidade acorda“.

3o dia: tivemos a proposta do jogo “missão quase impossível” para motivar a realização dos desafios coletivos e individuais com a construção de estratégias.

4o dia: foi dedicado ao tradicional pega-pega e suas variações, como por exemplo: pega-pega gelo, americano, corrente, nunca três e etc. Tivemos tambem uma oficina de pintura na telha. 

5o dia: em um passeio para apropriação de territorio, fomos a pé até o Beco Visceral, localizado na própria comunidade de Paraisópolis. Trata-se de galeria de fotograifa que conta com diversos retratos/ fotos dos becos e vielas ao nosso entorno e seus moradores. As crianças ficaram encantadas com as fotos; o fato das crianças conhecerem a maioria dos lugares fotografados deixou tudo mais especial. Tivemos a vivência de conhecer e tocar nas câmeras, desde as mais antigas até as câmeras atuais – nossos estudantes amaram a experiência.

6o dia: começamos nossa segunda semana com uma atividade recreativa – boliche humano – uma brincadeira que as crianças adoram.

7o dia: foi da tão tradicional queimada, porém com variantes como queimada líder, queimada abelha-rainha, queimada frisbee (uma adaptação criada por uma de nossas educadoras). Além de divertido, podemos trabalhar coordenação motora, estratégia e trabalho em equipe.

8o dia: dedicado a um torneio de futsal. As crianças já chegaram super animadas e deixamos elas trabalharem o livre-arbítrio – elas próprias escolheram os times e decidiram as regras do torneio.

9o dia: desta vez foi um torneio de vôlei para contemplarmos as preferencias diversificadas do grupo. Na mesma filosofia do torneio de futsal, nossos estudante criaram seus times e decidiram as regras do torneio.

10o dia: para fecharmos com chave de ouro a programação doFerias em Movimento, tivemos mais um passeio no território. Com intenção de nos apropriamos das áreas de lazer de nossa comunidade, fomos visitar a piscina do CEU Paraisópolis, onde as crianças aproveitaram bastante o dia de sol na piscina, com direito a piquenique com bolo, suco e fruta para repor as energias. Agradecemos a parceria do Walter, novo coordeandor de Esportes do CEU.,

Assim foram nossos dias de férias, proporcionando trocas de experiências e colocando os alunos em diferentes situações para exercitar a cooperação e responsabilidade, explorar seus limites e estimular o potencial criativo de nossos alunos.

Queremos replay em 2023! (L.R.S./A.M.S.)

Passeio ao cinema

O programa de hoje foi direcionado aos 9 finalistas do concurso interno da Casa da Amizade para logotipo da XVII Mostra Cultural de Paraisópolis. Estando 3 dos finalistas em viagem (snif…), nossa expedição envolveu 6 premiados (entre 6 e 14 anos) e uma monitora. Cada um deles estava orgulhosamente vestido com uma camiseta estampada seu desenho premiado, com que tinha sido presenteado sob aplausos na festa junina. A seguir leiam o depoimento da professora Amanda, feito junto com a aluna Maria Eduarda, que lideraram esse passeio mágico.


“Foi um dia sensacional. Saímos da Casa da Amizade por volta das 12h rumo ao shopping Jardim Sul. Chegando lá logo fomos lanchar (um momento de interação muito divertido!). Na sequencia fomos assistir “Minions 2: o retorno de GRU”, um filme que as crianças amaram e deram muitas risadas – saíram encantadas com a experiência. Tomamos um sorvetinho enquanto esperávamos a van nos buscar; as crianças se comportaram muito bem e adoraram o passeio. Uma pena que a COVID nos privou da costumeira companhia de nosso voluntário e patrocinador André – nossos votos de breve recuperação, André! (A.M.S. e M.E.S.N.C.)

da esq para direita - Duda, Levy Deivid, Miguel, Deyvid Luan, Emily, Ariely
Ariely, Emily, Levy Deivid
Arielly, Emily, Levy Deivid, Deyvid Luan, Miguel Carvalho, Duda
esperando o filme
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Brinquedos e brincadeiras

Fizemos hoje o encerramento do primeiro semestre com a Escola Móbile – foi nossa última saída pedagógica do semestre para a Móbile. Nossas crianças tiveram o prazer de assistir, em primeira mão, uma apresentação de brinquedos e brincadeiras, organizada por Gabriela Romeu, em uma belíssima exposição coletada ao longo de uma viagem dela durante 10 anos. Em suas viagens Gabriela coletou brinquedos feitos pelas mãozinhas das próprias crianças, além de relatos lindíssimos das crianças e suas famílias. É claro que nós da Casa da Amizade podemos, de forma lúdica, aprender um pouquinho sobre a cultura e costumes das regionalidades do nosso Brasil. Através dos olhos de Gabriela, nossas crianças se impressionaram com os vídeos apresentados e tambem com os brinquedos, dentre carrinhos de latas, bonecas de pano, pau e sabugo. Puderam perceber que não se precisa ter muito para poder brincar – nossas crianças tiveram a oportunidade de sair do celular e brincar, construindo um próprio brinquedo! (F.H.A.)

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MAPA Alicerce: vivência

Nos dias 4 e 5 de julho nossos estudantes realizarão a Avaliação Alicerce (Mapa de Avaliação para Aprendizagem),  que tem como principal objetivo avaliar o desempenho escolar de cada criança que frequenta o programa de Reforço Escolar da Casa da Amizade. O propósito é ajudar a responder a seguinte questão: será que nossas crianças estão aprendendo o desejável em cada etapa escolar? Sabemos o quanto é importante a prática do estudo; nesse sentido buscamos auxiliar as crianças com hábitos que acabaram se perdendo com a pandemia e as aulas remotas. Entendemos que, refletindo junto com êles sobre importância e a relevância da avaliação, seu formato e os conteúdos que serão solicitados, as crianças se sentirão mais capazes e preparadas para realizar qualquer atividade; quando a criança se apropria do processo, deixando de ser coadjuvante e se colocando no papel principal, a aprendizagem torna-se mais significativa e eficaz.  Essa semana essa preparação aconteceu em todas as turmas, até como forma de acolhimento aos estudantes novos que não participaram das avaliações anteriores. A vivência foi bastante produtiva e nos deu algumas pistas do que deveríamos intensificar antes da avaliação e como seguir aprimorando nossas aulas. A Casa da Amizade compreende que as avaliações devem ser utilizadas como parte integrante do processo de ensino aprendizagem pois a análise reflexiva dos seus resultados é um recurso eficiente para orientar nossa euipe na melhoria da qualidade das aulas, servindo tambem como ferramenta potencial para intervenções pedagógicas, mudanças,  elaboração e acompanhamento dos planejamentos e projetos. (K.M.O.C.G.)

Festa junina da Casa da Amizade

A tradicional Festa Junina na Casa da Amizade aconteceu em 17/jun/22, distribuída em 2 períodos para evitar aglomerações. Depois de 2 anos sem acontecer nosso arraial por causa da pandemia, voltamos com todo gás com uma participação positiva dos alunos e familiares, colorida por roupas caipiras super charmosas. A costumeira apresentação das quadrilhas foi um sucesso arretado, para orgulho da “puxadora” Ana Paula.  https://youtu.be/RxmV_xOtuNo
Teve até “quadrilha maluca” organizada por Amanda – felizmente conquistou adesão dos pre-adolescentes pela estranha mistura de música caipira com funk, macarena, etc. – muito bem ensaiada! Foi exposta uma mesa linda com comes e bebes típicos de festa junina trazidos pelas famílias – todos apreciaram esse momento com alegria e uma boa dose de gulodice. Aproveitamos para fazer a comemoração dos aniversariantes do semestre, com entrega de saquinhos verdes contendo kits saúde. 

Os vencedores do concurso interno de logotipo da Mostra Cultural 2022, baseado no tema “Águas”, foram contemplados com uma camiseta estampando o desenho de cada aluno finalista; eles curtiram e planejam estrear no passeio ao cinema que farão em 9/jul/22, em caravana liderada pelo voluntário André. 

A novidade do ano foi o Correio Elegante, iniciativa de um grupo de alunas que preparou cartões juninos para que os visitantes pudessem receber recados anônimos de seus admiradores…

Um toque diferente de surpresa na saída: cada familia ganhou uma cesta básica doada pela Escola Mobile e sua parceira Facimus. E para enfrentar as frentes frias que vem atacando a paulicéia, cada criança ganhou um cobertor doado por funcionários Citi. Calor humano não faltou …(A.P.Q.S)

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Aperfeiçoando o uso do Elefante Letrado

Esta semana fizemos uma experiencia de reorganizar o uso da plataforma Elefante Letrado nas aulas de Leitura. Com 20 computadores posicionados nas mesas, cada aluno pôde trabalhar individualmente nas questões e jogos que são propostos pela plataforma na sequencia da leitura coletiva de um livro escolhido pela turma, sob orientação do professor, entre os 700 disponíveis no sistema. Considerando nosso inventário de dispositivos, isto requereu um rodízio entre as 3 turmas da manhã, que se deslocaram entre as 3 salas de aula. Aparentemente o resultado foi muito positivo, com um ambiente de maior concentração dos alunos. A conferir! (MAFM)

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Sob os olhos de uma criança!

Na última sexta feira  a Casa da Amizade foi convidada por nossa parceira Escola Mobile para assistir, na própria escola, a peça de teatro “Quando eu morrer vou contar tudo a Deus”, apresentada pelo grupo “O Bonde”, dirigido por Icaro Rodrigues.

O grupo “O Bonde” é composto por atores negros e fala de assuntos conflitantes em nossa sociedade. De forma lúdica a peça aborda como seriam, na visão de uma criança, os conflitos vividos pelas refugiadas, além de outros casos reais que não ganham tanta repercussão na mídia, ligados à intolerância das diferenças étnico raciais, sociais e culturais.

Não há duvida de nossas crianças adoram a saída, os passeios, mas o aspecto mais relevante é qual aprendizagem teremos, as trocas feitas entre os alunos da Mobile e da Casa da Amizade; equiparar esses conhecimentos é sem dúvida o maior desafio e a maior riqueza do projeto. Ter a certeza de que as crianças de ambas as instituições ampliam sua visão sobre a realidade social em que vivem, fomenta a capacidade de trabalhar em equipe, fortalece a confiança e autoestima. Essas crianças ao longo prazo reconhecerão seu papel na sociedade, conhecendo seus direitos e deveres sociais e não somente individuais.

Como professora da Casa da Amizade, espero podermos ter mais oportunidades como essa no futuro. Só tenho a  agradecer por participar de projeto tão enriquecedor para ambas as instituições. (Fernanda Horwath)

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Manhã de aprendizado na Casa da Amizade  

“Fui hoje conhecer pessoalmente a Casa da Amizade e as pessoas que fazem a proposta da instituição funcionar. Eu já conhecia a “Casa” através dos relatos de  colegas, que já participam de atividades voluntárias lá.   Fui recebida cordialmente pela equipe e começamos a proposta do dia: uma manhã de formação, troca de experiências e aprendizagens sobre Intervenções possíveis e bem sucedidas no processo de alfabetização, considerando diferentes estágios em um mesmo grupo.  Entre cafés e bolinhos, conheci uma equipe incrível e engajada: educadoras e educadores com uma história de vida ligada à Casa e ao seu compromisso com a qualidade do que oferecem.  O senso de responsabilidade  de cada educador, com sua própria formação, ficou claro durante o encontro, a partir das perguntas e dos relatos das atividades de alfabetização desenvolvidas com os alunos. Retomamos o significado social e cognitivo da Alfabetização, as fases do processo e as possibilidades de intervenção em cada uma delas. Compartilhamos muitas ideias e sugestões de atividades!  Mas o melhor de tudo é que o assunto não se encerrou e muitas perguntas ainda esperam por novas discussões. Assim é a rotina de um verdadeiro educador, repleta de perguntas e aprendizagens. Espero voltar e ter novos momentos de troca com essa equipe, pois sai enriquecida e feliz com  minha primeira experiência  na Casa da Amizade.”  (Helena Sellani  – Coordenadora Pedagógica da Escola Móbile,  Pedagoga e Mestre em Educação)